terça-feira, 25 de outubro de 2016

Uma nova vida minha


Os meus planos para os próximos 15 anos se resumiam a: entrar para o doutorado, me efetivar num concurso, construir meus sonhos materiais e viajar pelo mundo.

Tais sonhos continuam mas tiveram uma pausa, pois um pedacinho de luz recheado de magia, amor, lindeza e perfeição entrou na minha vida para me ensinar a mais linda das missões terrenas: a maternidade.

Foi em Agosto de 2015. Fazendo a vida íntima com a tabela virtual (cuidado meninas kkk) foi questão de tempo e bem rápido por sinal - dois meses de amor e me lembro até hoje da leve sensação de tontura no carro, quando este virou uma esquina.

A primeira ideia: estou grávida. Meu marido nem ligou e disse que poderia ser a comida ou mesmo o nervosismo. Mas eu já sabia a resposta. Fazer o teste de farmácia serviu apenas para constatar o que a minha mente já tinha me avisado na noite anterior: 2 semanas com dois corações batendo aqui dentro.

Quando avisei o maridão, ele tranquilamente disse: "tudo bem, beleza". E eu caí em choque, desespero, ansiedade, tristeza até, raiva por ter parado de tomar o anticoncepcional convencional. Terríveis pensamentos se apoderaram, mas graças aos deuses e a nossa divina mãe cósmica que nos protege e nos guia algo aqui dentro me falava que tudo, absolutamente tudo iria ficar.

Me lembro bem: deitada na cama tentando não pensar, a racionalidade caiu em mim e vi que o que eu queria era aquela criança. Ela era minha, parte do meu ser. Levantei da cama tranquilamente fui pra cozinha me entupir de comida boa e gostosa e aceitei a missão que me foi confiada.

Já estava em torno de 3 semanas. A vida então proliferou em: exames, ultrassons, consultas e leituras sobre a gravidez. Os pensamentos começavam a ganhar apenas um foco: a vida da minha baby.

Obviamente a ansiedade não diminuía. A cada exame necessário, um aperto no coração. Isso porque eu já tinha perdido uma gestação (aos 3 meses) em 2011. O medo de repetir a mesma história foi a resposta para a minha negação diante da maternidade por tanto tempo. Mas o medo nem existe e cada história se escreve com tintas novas e páginas inéditas - era hora de fazer valer as minhas crenças.

Mas a ansiedade persistiu - e a cada resultado positivo e feliz eu chorava igual criança quando perde seu brinquedo favorito, mas de felicidade. Tudo exatamente certo. A alegria em mim crescia em cm, peso e formas perfeitas. Mas o tal da diabete gestacional pairou em mim dos 5 aos 8 meses.

Nada de carboidratos em excesso, dizia a obstetra. Parei com TODOS os carboidratos. Vitaminas recomendadas pela médica? Tomava sem pensar! Esse extremismo foi até o 8º mês, quando os exames mostraram que eu não tinha diabete gestacional. Voltei aos poucos ao arroz e pão.

Trabalho e a falta de tempo

Muitas amigas e conhecidas tiveram uma gravidez maravilhosamente desenhada: yoga, doulas, desenhos, álbuns, fotos profissionais enormes nas paredes e fotos da gravidez de mês em mês. Eu tive que escolher: ou trabalhava para ter dinheiro e poder comprar o enxoval, pagar exames e o próprio parto (foi particular, não tinha na época um plano de saúde e desse privilégio eu não abria mão) ou então ficava com muito tempo livre e sem grana para investir nesses pontos.

Não parei de trabalhar e a cada mês eu andava mais devagar, (parecia mesmo uma patinha tentando correr pro lago, hehe). Como sou professora, já dá pra imaginar a situação, hehe - mas acredite: as aulas não me incomodavam, os alunos eram atenciosos, a direção super gentil e talvez por isso eu consegui levar numa boa até o dia em que a minha Luz nasceu.

Lógico, hoje eu teria feito pequenas alterações. Teria aproveitado mais com fotos, registros e poder ter participado de outras vivências em grupos. Mas era tanta coisa que meu tempo livre eu passava dormindo ou passeando com o amado (e casando, rs - foram 7 anos de namoro e a Luz veio e nos juntou de vez) ...

Tudo como tinha de ser: eu estava feliz (estou). Minha gravidez estava linda. Engordei 20 kg (isso sem comer carboidratos hehe) e numa linda quinta-feira (29/04/16), numa madrugada tensa (entre gritos e sorrisos), a Dra. Ivândia fez o parto (cesariano) e nossa Luz chegou.

Aqui vai um recado para as mamães: não se preocupem com o exterior. Não forcem nada que o tempo de vocês não permite. Deu para registrar? Ótimo. Conseguiu fazer pilates, yoga, meditação, natação e caminhadas? Perfeito. Não conseguiu? Teve que trabalhar? Chegou cansada e só pensou em dormir (ou comer) ? Não tem problema. O que mais vale aqui é a conexão que você cria com a vida que pulsa dentro de você. 

As únicas dicas que posso garantir que funciona:
- Retire um tempo para conversar com o seu bebê: fale de tudo, rie, conta piadas, fala como foi o seu dia, reclame também (só não vale os palavrões ou muito desânimo, lembra que o baby recebe tudo, até os nossos sentimentos)
- Passe a mão na barriga VÁRIASSS vezes (isso vai ser automático, mas o carinho, ai ai, é maravilhoso)
- Pense em coisas boas, crie na sua mente como o filhote (ou a filhota) vai ser: a sua beleza física ou emocional, a cor de seus cabelos, olhos e o formato de suas mãos, etc
- Independente de sua religião, reconecte-se com o interno. Deus é o BEM, Deus é AMOR. Independente de qualquer doutrina, coloque a linda vida interna nos braços generosos do Universo.
- Compre os mimos - vale nesse período um dinheiro gasto em detalhes, roupinhas lindas, delicadas e presentes pra sua lindeza.
- A meditação aqui ajuda e muito - pequenos minutos por dia de limpeza mental ajuda a desacelerar a ansiedade ...

Do mais, a naturalidade do dia e a aquela energia da maternidade já esta em toda a sua casa e em volta de vocês (papais). Aproveitem isso, conversem os dois com o baby, façam planos e curtam essa esfera maravilhosa que fica no lar de quem espera o herdeiro do amor.


Nem normal nem cesária: o que vale é o amor

Não vou ficar aqui falando em dados, estatísticas e valores. Também não quero escrever sobre médicos que impõem um plano ou os outros meios naturais de uma gestação.

Acredito que todo tipo de pressão nunca é saudável: nem aqueles que alegam o parto normal como algo de risco nem mesmo aqueles que declaram a cesária como um perigo ou mesmo um pecado.

Mães, acreditem que o amor que existiu por meses vai ser independente do dia do nascimento. Não há comparações, cada mãe com sua cria dividem esse momento juntas. A cesária quando com carinho e no cuidado com a mãe sempre ansiosa é válida também e não pode ser condenada pelas atuais correntes naturalistas.

Não estou aqui negando o parto normal. Na verdade na minha história eu optei pelo parto cesariano justamente por não ter me preparado para o normal. Estava sozinha em casa quando as dores chegaram e meu marido me deixou bem livre para escolher o que eu queria naquele momento. Se no decorrer da gestação eu tivesse estudado um pouco mais e me livrado dos meus próprios medos eu teria arriscado um parto normal.

Mas naquela noite, naquela histórica noite, eu só queria duas coisas: que a dores acabassem e que a minha baby logo chegasse, hehe. A ansiedade em ver o seu rostinho, ver se estava tudo bem com ela e por fim finalizar aquele período com vitória foi mais forte e me fez optar pelo parto cesariano. Todas as minhas economias foram para aquela noite e não há nada de arrependimento. A médica, a maternidade, as enfermeiras, o quarto.

Alguns dizem que foi apenas porque eu estava pagando. Não vou entrar nesse detalhe. Sei da realidade brasileira e por isso mesmo guardei tudo o que tinha para esse dia. É triste saber que ainda existam mães que sofrem pelo descaso no atendimento médico brasileiro. É só mesmo muito amor pelo filho que nós nos submetemos a tudo, até mesmo ao despreparo de muitos da área médica. Mas acreditem, tudo isso passa quando olhamos para aquele pacotinho de amor e enxergamos os longos 9 meses de espera e de sonhos.

Foi um dia feliz: meu marido estava lá e numa madrugada a Luz veio. Com 3.400 kg e as outras medidas normais. Tudo valeu a pena. Doutorado, concurso, viagens, roupas e outros ganhos - nada vai ser comparado com a noite em que se fez a Luz nas nossas vidas.

Escute outras mães mas analisa a sua própria situação. Vá em encontros mas não tenha medo de ter outras opiniões. Não esconda seus medos, anseios e dúvidas. Fale com sua médica, troque se for preciso. Veja vídeos de partos na net mas não se sinta culpada se achar tudo um pouco nojento.

O que importa aqui, de verdade, é a nossa criança vir com saúde e pronta para encarar o mundo com o amor que lhe demos durante a nossa união.

Não acredite nos tabus, nas generalizações. Tire toda culpa. Não acredite em falatórios. Curta o momento mais lindo do universo: o nascimento!

Ainda hoje escuto cada coisa sobre o parto cesariano ou normal que me pego em conflitos. Mas rapidamente olho pra minha pequena de olhos azuis e sinto que nada daquele discurso faz sentido. Traumas, distância, culpa, medos - essas coisas eu dispensei da minha vida e da vida da minha também. Isso é um modo de cuidar e também de proteger.

Ficou aqui registrado um pouco de como foi a minha gestação - teve muitas mais páginas, mas espero ter ajudado, de forma simples e direta o começo da nossa maior aventura!

Abraços maternos!!


Nascendo como mãe




Sejam todos bem-vindos a um blog cheio de amorrrrr .... mas aquele amor bem piegas, sabe. Que só sendo mãe, todos os dias, podemos conhecer um pouco!!


Mãe, talvez a tarefa mais incrível desse mundo - a eterna busca da perfeição para fazer do ser que nos foi dado um grande espírito iluminado.

Esse blog é simples, humilde e carrega a arte de tentar ser ao máximo possível transparente e sem levantar bandeiras de crenças, modalidades e pensamentos generalizantes que acabam por vezes nos pressionando.

Ser mãe é antes de tudo: uma jornada intrigante e desconhecida. Todos os dias, aprendemos algo novo. Todos os dias vamos nos tornando mães, aprendendo, afinando os nosso ouvidos ao choro, compreendendo um olhar, o sono que chegou, a fome, a sede e o sorriso banguela de gratidão naqueles primeiros meses de pura adrenalina, mistérios e descobertas!!

Vou tentar aqui colocar a minha experiência desde o dia em que descobri que não estava mais sozinha. Aos poucos fui me descobrindo e percebendo o quão forte eu sou, o quanto eu aguento as noites em claro, o que consigo suportar na hora da vacina ou como fico me segurando diante dos outros que teimam em postar regras gerais sobre a maternidade, impor suas ideologias.
Ou o que dizer daqueles que pegam o baby no colo sem ao menos pedir?!?! Hãm??? Como assim ?! 

E nós, mães, ficamos desesperadas e queremos colocar nossos filhotes em jaulas de ouro ou passear em lugares perfeitamente higienizados (esses lugares existem? hehe)

Sintam-se a vontade
Trocar experiências
Aprender um pouco mais
Desabafar, chorar e sorrir (tudo ao mesmo tempo! rs)


Abraços maternos!!!